Retrospectiva 2009

Com o final do ano chegando, decidi escrever um post sobre os principais acontecimentos de 2009, mas acho que vai acabar sendo uma retrospectiva desde 2005, quando entrei na faculdade.

1) Engenheiro de Computação

Com 4 anos e meio me formei em Engenharia de Computação pela Unicamp. Nosso catálogo possui características que facilitam a formação adiantada e por isso não é surpreendente que mais de 10 colegas de turma tenham se formarado junto comigo (uns 15% da turma). A principal dessas características é o fato de você só precisar fazer um dentre iniciação científica, estágio e TCC e ainda nossa sugestão de currículo (a qual sempre tentei seguir ao longo dos semestres) deixa o último semestre apenas para estágio. Como fiz iniciação, me isentei do estágio e, estando em dia com o catálogo, acabei terminando um semestre antes.

A partir do 4º ano também comecei a me matricular nas disciplinas eletivas como aluno especial, para adiantar algumas disciplinas da pós-graduação. Essa sugestão valiosa foi dada por um professor, o Rodolfo, durante o segundo semestre do 3º ano, num curso de Arquitetura de Computadores. Com essa estratégia me formei tendo adiantado quatro disciplinas de pós: Geometria Computacional, Computação Gráfica, Fluxo em Redes e Processamento de Imagens.

Aí entrei no mestrado no 2º semestre desse ano…

2) Mestrando em Ciência da Computação

Um grande problema em se decidir a área que mais se gosta, é que só temos contato com tais áreas no final da graduação, quando as disciplinas ficam mais específicas. Mas aí já é tarde demais para você fazer uma iniciação para experimentar. Eu tive o privilégio de descobrir logo no primeiro ano de faculdade muitos tópicos de teoria da computação e perceber que essa era a minha área preferida.

Comecei minha primeira iniciação no começo do terceiro ano com o prof. Orlando Lee e só parei quando me formei. À época eu conhecia quatro ou cinco colegas que já faziam iniciação, mas todos eles tinham sido chamados por professores pelo bom desempenho em disciplinas que tinham feito com eles. Dado isso, eu não tinha confiança suficiente para bater à porta de algum prof. de teoria e pedir para ser orientado. Isso mudou durante as férias do segundo para o terceiro ano, quando navegando pelas páginas de alguns professores, vi o convite, na página do prof. Lee, para alunos de iniciação em teoria dos grafos. Acabou que mandei um email e decidi fazer a iniciação em otimização combinatória. Engraçado que antes de começar, o prof. Lee me perguntou se eu não queria estudar outras propostas de outros orientadores. Como eu gostava muito da geometria computacional vista na maratona, fiquei em dúvida se falava com o prof. Pedro Rezende. Descobri afinal que este estava fazendo pós-doutorado no Canadá e obviamente não poderia me orientar e então acabei não falando com mais ninguém.

Meu interesse em geometria computacional não diminuiu, tanto é que a primeira matéria que fiz como aluno especial foi esta, logo que o prof. Rezende voltou do posdoc. Gostei muito da disciplina e estava quase certo de que se eu fosse fazer mestrado, faria em geometria. Foi então que, no começo do quinto ano, decidi procurar o prof. Rezende e pedir para ser orientado no mestrado. Ele me apresentou um projeto muito interessante que envolvia otimização combinatória e geometria computacional e, visto que poderia aplicar coisas desenvolvidas durante a iniciação e trabalhar na minha subárea predileta de teoria, aceitei o projeto. Ele me sugeriu que eu assistisse à disciplina de Programação Linear Inteira com o prof. Cid, que acabou se tornando meu co-orientador, ficando responsável pela parte de otimização combinatória do projeto.

O resultado disso é que consegui entrar no mestrado tendo cursado a maioria das disciplinas da pós e com um projeto, o que, espero, me adiante bastante as coisas. Com o projeto escolhido, já aproveitei para fazer um pedido de bolsa à Fapesp e realizar o exame de qualificação de mestrado. Na minha opinião, a vida de mestrando é muito flexível pois não há horários fixos para fazer as coisas, mas isso pode acabar com a produtividade. Assim, prefiro trabalhar num esquema de reuniões semanais com meus orientadores e ir todos os dias ao laboratório.

3) Maratonista quase aposentado

Começo dizendo que a maratona esteve sempre tão presente na minha vida acadêmica que mal consigo separá-las. Isso pode ser comprovado pelas coisas ditas anteriormente, em como ela me influenciou na escolha da iniciação e do mestrado.

Desde o primeiro semestre participo dessa competição de algoritmos e aqui sou grato novamente ao prof. Rodolfo juntamente com o prof. Cláudio Lucchesi que foram, durante uma aula de MC102, fazer propaganda da maratona e convidar bixos. Lembro que o prof. Lucchesi falou sobre o goleiro do São Paulo, Rogério Ceni, um exímio batedor de faltas, que ficava depois do treino, quando todos iam embora, praticando cobranças a gol.

Na primeira aula que teve, não conseguia resolver nenhum problema. Estava fazendo MC102 ainda e nunca tinha programado antes. Lembro que o prof. Rodolfo me ajudou a resolver o meu primeiro problema de maratona nesse dia, enquanto alguns de meus colegas de turma já tinha resolvido dois problemas sozinhos. Percebi que eu não tinha o talento bruto necessário para me dar bem. A partir de então, sempre tentei levar a “ideologia” do Rogério Ceni comigo na maratona e tentar ganhar nos números. Eu treinei muito e resolvi muitos probleminhas. Mas hoje, olhando para trás, vejo que poderia ter direcionado melhor meu esforço nos treinamentos. Enfim, tudo deu muito certo para mim. Em 2007, numa seletiva individual, acabei caindo em um time com dois caras muito talentosos: o André e o Paulo (este, o oposto de mim, tanto no talento quanto na dedicação, hehe). Acabamos nos classificando para a final mundial no Canadá.

Em 2008 deixei a pressão interna diminuir minha auto-estima e acabei não participando da seletiva. Tinha decidido me aposentar desde então, mas em 2009, já mais aliviado de auto-cobrança por não estar mais treinando nem nada, resolvi participar da seletiva como quem não quer nada. Os anos de treinamento e a relativa tranqulidade em que me encontrava foram essenciais para que novamente eu caísse num time com outras duas pessoas talentosas: o Davi e o Marcelo. Em outubro deste ano nos classificamos para as finais mundiais na China :)

Em Janeiro de 2010 faremos um treinamento na USP e em Fevereiro iremos para Harbin, a cidade de gelo. Ano que vem me aposento compulsoriamente, muito satisfeito com as conquistas suadas. Quem sabe ano que vem não me torno o técnico da Unicamp? ;)

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