Programadores russos

Quem participa de competições de programação conhece o bom desempenho dos times russos, chineses e poloneses. Desde as finais mundiais de 2000, apenas times da Rússia, Polônia e China ganharam a competição [1].


(Time campeão do ACM-ICPC 2009 – St. Petersburg IFMO)

É sabido que as melhores Universidades estão nos Estados Unidos e muita gente brilhante deixa seu país natal para ir estudar nessas universidades americanas. Porque é então que Universidades como MIT, Standford, Carnegie Mellon, entre outras, não conseguem bater os times do leste europeu?

O Brasil então é praticamente zebra nessa história. Apenas uma vez na história um time do Brasil foi capaz de ganhar uma medalha de bronze.

Recentemente a delegação do Brasil contratou um ex-campeão russo desse tipo de competições, Petr Mitrichev, para oferecer treinamento aos competidores brasileiros.

Pelo que foi relatado, a infra-estrutura das Universidades russas e o apoio que recebem das mesmas para este tipo de competição é semelhante ao do Brasil.

A diferença é que lá muitos dos alunos já tem aulas de programação no ensino médio, enquanto no Brasil esta prática ainda não está muito difundida, apesar da criação da Olimpíada Brasileira de Informática.

Outro ponto importante é que competições de programação são muito bem vistas nesses países e uma motivação muito grande para os competidores é a fama e o reconhecimento nacional. O Petr disse inclusive que os campeões mundiais russos foram homenageados pelo presidente e houve uma cobertura muito grande da mídia.

No Brasil não existe isso. Como ex-competidor que sou, confesso que minha maior motivação era a possibilidade de viajar para o exterior. Não sei se isso é suficiente para motivar outras pessoas, mas eis alguns números:

Em uma seletiva da Unicamp, 30 alunos compareceram. Na Universidade de Moscou, onde o Petr estudou, eram 20 times competindo por uma vaga, o que dá cerca de 60 alunos. Ele disse que em algumas Universidades existe maior apoio a esse tipo de competição, e o total de times pode chegar a 40!

Com um número maior de gente participando, a chance de se encontrar gente boa nesse meio aumenta, mais pessoas vão conhecer a competição e com isso haverá maior reconhecimento dos vencedores.

Acredito, porém, que a diferença fundamental está na educação básica. A Rússia tem tradição em olimpíadas de todos os tipos e a de informática não é uma exceção. Essas olimpíadas são voltadas para alunos de ensino fundamental e médio e é oficialmente apoiada pelo governo. Não sei quanto às olimpíadas brasileiras de matemática, física, química e astronomia, mas acredito que a de informática não tem tal apoio. Campeões de olimpíada russos têm direito de escolher qualquer Universidade sem prestar vestibular. Aqui, informática não cai no vestibular, então é de se esperar que este tipo de coisa não seja estimulado nas escolas brasileiras.

Referências:
[1] Wikipedia – ACM ICPC

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