Buenos Aires

Janeiro 22, 2012

Estive em Buenos Aires a trabalho durante a semana passada inteira. Não pude conhecer muito da cidade pois só tive tempo para fazer turismo no último dia. De qualquer maneira, esse post será um breve registro de minhas experiências na Argentina.

Transporte

Os ônibus são muito baratos, pois parecem que contam com subsídio do governo. Diferentemente do Brasil, lá você paga um valor proporcional à distância até seu destino. Mas mesmo no caso mais caro, creio que não chega a 2 pesos. Além disso, só se aceitam moedas como pagamento.

Para quem está nas proximidades do centro, o metrô (conhecido por subte) é uma boa opção, custando 2.50 pesos (mapa). A linha A é particularmente curiosa devido a seus vagões de madeira.

Linha A - Subte

Táxis não são muito caros. Usei essa opção entre no trecho Aeroporto-hotel. Aliás, o número de táxis é muito grande comparado ao número de veículos particulares. Só é preciso tomar cuidado com taxistas mal-intencionados.

Comida

Do ponto de vista gastronômico, tive recomendações de experimentar o bife de chorizo e bife de lomo que são dois cortes bovinos. Eu gostei bastante. Também tive o privilégio de ir a um churrasco (asado) tipicamente argentino. Diferentemente daqui (pelo menos de São Paulo), o churrasco é feito em fogo mais baixo, deixando a carne assar por mais tempo, resultando em uma textura mais macia.

Lugares

No tour de um dia, visitei alguns lugares famosos como a Casa Rosada, a Catedral Metropolitana, o bairro Puerto Madero, o bairro do Boca, incluindo o estádio do Boca Juniors e el Caminito.



El Caminito

Outras atividades

Durante a semana também fui a um show de tango e pratiquei um esporte chamado padél, que é uma espécie de tênis, só que mais leve, com quadra menor e raquetes que madeira. Eu nunca tinha ouvido falar, mas de acordo com a wikipedia é o segundo esporte mais popular na Argentina!

Conclusão

Algumas impressões: achei as calçadas muito estreitas, pelo menos na parte central da cidade; Achei curioso que alguns bares possuam entregadores para levar o café na bandeja até escritórios próximos; Os argentinos que conheci do trabalho são bastante educados e receptivos.

Senti falta de saber falar espanhol para poder me comunicar melhor e também gostaria de ter tido mais tempo para visitar outros pontos turísticos.

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Sibgrapi 2011

Setembro 4, 2011

Nessa última semana aconteceu o Sibgrapi 2011, que é uma conferência brasileira de abrangência internacional de computação gráfica, padrões e imagens. O evento foi sediado em Maceió, Alagoas. Tivemos um artigo aceito para essa conferência e fui lá apresentar.

O Sibgrapi deste ano foi composto por diversos mini-cursos, palestras de pesquisadores de renome na área, apresentações orais dos artigos (em inglês) e apresentação de pôsteres (artigos e também teses de iniciação/mestrado/doutorado).

Mini-cursos

Acho que a parte mais interessante de conferências são os minicursos. Nessa edição do Sibgrapi, cada mini-curso foi dividido em duas partes.

Houve um particularmente interessante, sobre fotografia computacional, onde eles explicaram alguns conceitos básicos sobre ótica e fotografia e falaram dos principais temas dessa área.


Imagens com diferentes tempos de exposição (fonte)

Foram discutidas diversas técnicas de composição de imagens. A mais legal pra mim, sem dúvida é a do high dynamic range (HDR), que consiste em usar imagens com diferentes tempos de exposição (como no exemplo da figura acima) para compor uma imagem visualmente mais atraente (como no exemplo da figura abaixo). Outros exemplos impressionantes podem ser encontrados nesse site.


Imagem composta (fonte)

Falaram também sobre light fields, que pelo que entendi consiste em representar mais informação a partir de um dado ponto de vista. Um exemplo disso é essa câmera que tira fotos com diferentes focos que podem ser escolhidos depois, na própria imagem. Veja exemplos aqui.

Assisti também a um tutorial sobre OpenCV, mas só peguei a primeira parte, pois a segunda conflitava com o horário do tutorial sobre fotografia computacional.

Apresentação de artigos técnicos

Havia sempre duas seções paralelas de apresentações de artigos técnicos, o que impossibilitou assistir a todas elas. Pelo que pude perceber, uma linha era voltada à computação gráfica e a outra à processamento de imagens. Acabei escolhendo apenas seções de computação gráfica.

Pra dizer a verdade, entendi muito pouco dos trabalhos apresentados, mas os que mais me chamaram a atenção foram de modelagem de terrenos em tempo real usando CPU-GPU (link) e texturização de modelos 3D com poucas características geométricas (link).

Apresentei nosso trabalho em uma seção de visualização. Trata-se de uma solução para uma das variantes do problema de mapas de símbolos proporcionais que abordei no meu mestrado (link). Pretendo comentá-la em um post futuro.

Pôsteres de teses

O projeto mais interessante era a tese de mestrado de Adriana Schulz (IMPA) que estudou animação computadorizada, mais especificamente para simulação de coreografia. Esse site tem diversos vídeos bacanas!

Fato curioso

Embora os artigos tivessem que ser apresentados em inglês, os mini-cursos foram ministrados em português. Além disso, as palestras dadas por convidados brasileiros também estavam sendo dadas em português. Aí houve uma hora em que na seção de dúvidas, um cara fez a pergunta em alemão. Depois de todo mundo ficar com cara de pastel, ele repetiu em inglês, criticando o fato de uma palestra de conferência de nível internacional ter sido dada em português. A partir de então, só tivemos palestras em inglês :)

Turismo

Aproveitei minha ida a Maceió para conhecer alguns pontos turísticos de Alagoas. A cidade de Maceió em particular tem uma boa estrutura para turismo, com empresas de transporte e serviço de guias. Consegui visitar a praia do Gunga, onde existem falésias compostas de camadas coloridas.


Camadas coloridas das falésias

Também fui a Maragogi, famosa por suas piscinas naturais, onde se pode mergulhar em meio a peixes coloridos e corais.


Piscina natural em Maragogi

Conclusão

Foi a primeira vez que apresentei em inglês e para um público desconhecido. Acredito ter sido um bom ensaio para a minha defesa que ocorrerá logo mais.

Os passeios nos últimos dias também serviram como um descanso relâmpago, pois esses últimos três meses têm sido bem puxados :)


Final Brasileira da Maratona de Programação 2010

Outubro 29, 2010

Nos dias 22 e 23 aconteceu a final brasileira da maratona de programação, em Joinville, SC, organizada pela Universidade do Estado de Santa Catarina, UDESC.

22 de Outubro

Infelizmente, só conseguimos o financiamento para ônibus, que leva cerca de 10h entre Campinas e Joinville. Saímos às 19h de Campinas na Quinta-feira, dia 21 e chegamos às 5 da manhã de Sexta-feira em Joinville. Como a reserva era para o dia 22, teríamos que esperar até 12h para fazer o check-in. No final das contas, só conseguimos entrar nos quartos às 14h, bem na hora do warm-up! Foi meio corrido e cansativo, mas deu tudo certo.

Logo depois, assistimos a uma palestra da IBM, seguida de uma reunião só com os coaches. Aí fomos passear de barco na Baía de Babitonga. Saímos de Joinville e fomos até São Francisco do Sul, onde a janta foi servida no próprio barco (felizmente ninguém do nosso time enjoou) e depois regressamos. O passeio durou umas 4 horas.

Barco “Príncipe de Joinville”, no Píer

23 de Outubro

Para descansar o máximo possível, os competidores optaram por dormir até mais tarde no Sábado, pulando o café da manhã. Logo após o almoço começou a competição e devo adiantar que o nervosismo que a gente passa como técnico é maior do que como competidor!

A mesma prova é aplicada em várias sedes da América Latina, mas em algumas o horário de início é diferente. Nós técnicos não tivemos acesso ao placar até que todas as sedes já tivessem iniciado, pois, como tínhamos acesso à internet, divulgar o placar online serviria de dica dos problemas mais fáceis para as sedes que ainda não tivessem começado. Assim, só ficamos sabendo a classificação depois de duas horas.

Qual não foi minha surpresa ao ver que o time Alfa da Unicamp estava com apenas 3 problemas e em 20° lugar, enquanto tinha equipes já com 6 problemas. Essa minha angústia perdurou um pouco mais, até que de repente, eles resolveram 4 problemas em menos de 10 minutos! Nessa hora eles pularam para sexto lugar. Infelizmente, devido à alta penalidade (em decorrência da submissão tardia desses 4 problemas), dois outros times fizeram 7 problemas e os ultrapassaram, colocando-os em oitavo lugar. Nesse momento o placar congelou. Como não estávamos vendo os competidores para saber se mais balões chegavam, tivemos que esperar até a cerimônia de encerramento para saber a classificação final.

Times durante a competição

A cerimônia foi logo depois da competição. Em anos anteriores, utilizava-se um programinha para mostrar a evolução do placar no período em que ficou congelado, mas o autor do software e o único que sabia como operá-lo era o Fábio Dias que não pôde comparecer ao evento. Assim, a organização do evento foi mostrando o log de submissões dos últimos minutos e descobrimos que a Poli-USP também tinha passado à nossa frente. No final ficamos com a nona posição e ganhamos a medalha de bronze. O placar final pode ser acessado aqui.

O time “Garotos da OBI” era formado pelo Caíque, Felipe e Renato, 3 dos 4 alunos classificados na seletiva para a IOI esse ano, sobre a qual escrevi num outro post (o André estava no time da Poli-USP). Eles participaram como convidados da maratona e portanto não são classificáveis para a final mundial. Embora estejam ainda no ensino médio, podemos ver que o nível deles já é equivalente ao das melhores equipes. Isso é um sinal de que a olimpíada de informática está se fortalecendo, o que é essencial para a formação de equipes competitivas a nível mundial. Quem sabe daqui a alguns anos veremos algum time brasileiro ganhando medalhas na final mundial.

O Unicamp Beta não ficou muito bem classificado, tendo feito apenas dois problemas. Eles ficaram meio chateados, mas falei para eles considerarem o grande feito que já tinham realizado ao conseguir a vaga para a final nacional. Lembrando que o Alex está apenas no segundo ano e o Igor e a Patrícia aprenderam a programar esse ano! Se continuarem se dedicando, eles estarão no primeiro time da Unicamp daqui a alguns anos e nos classificarão para um próximo mundial.

Apesar de o desempenho da nossa equipe não ter sido um dos melhores, ainda há esperança quanto ao mundial. Levando em conta que o “Garotos da OBI” não são elegíveis e que o segundo time do ITA não pode ir à final (a regra permite no máximo um por universidade), estamos em sétimo na lista de espera por uma vaga. Parece pouco promissor, mas ano passado tivemos exatas 7 vagas para o mundial em Harbin, embora essa quantidade mude todo ano. Agora só resta torcer e, para os que ainda podem competir, voltar a treinar o quanto antes.

24 de Outubro

Aproveitando que nosso ônibus era só para as 22h, fomos conhecer um pouco a cidade de Joinville. Só conseguimos visitar os museus da Imigração e do Sambaquis, além do parque zoobotânico, todos de entrada franca. Infelizmente um dos principais cartões-postais da cidade, o mirante, estava interditado. Além disso, um dos museus que eu mais queria ver, o museu da bicicleta, foi fechado! O museu tinha sido aberto em comemoração aos 150 anos de Joinville — que é conhecida como a cidade das bicicletas — e expunha uma grande coleção de bicicletas de um acervo particular. A prefeitura pagava o aluguel do espaço e o dono das bicicletas ficava como curador do museu. Com a mudança de mandato na prefeitura, perdeu-se o interesse em manter o museu e o desabamento do telhado do prédio ababou decretando o fechamento do local.

Moedor de cana-de-açúcar (Museu dos Imigrantes)

Podíamos ainda visitar o parque de exposições Expoville, mas já estava meio tarde e o local ficava um pouco longe. Preferimos ir jantar em um shopping, onde o Paulo perdeu a passagem de volta dele >.< No final ele teve que comprar outra, mas felizmente pôde embarcar de volta conosco.

Conclusão

Gostei de ser técnico, mas não poderei continuar sendo ano que vem. Além disso, não está nos meus planos continuar os treinos esse ano (principalmente porque pouca gente se interessaria) e não sei se vou me envolver com treinamentos ano que vem. Ainda não temos um substituto concreto para o cargo, mas cogita-se professores.


ACM ICPC World Finals 2010

Fevereiro 14, 2010

Durante os dias 1 a 5 de Fevereiro de 2010 ocorreu a final mundial da ACM ICPC (International Collegiate Programming Contest). Técnicamente a prova só acontece no dia 5 de Fevereiro, sendo que nos outros dias temos atividades de lazer e simulação/aquecimento da prova.

Nas competições passadas, a viagem era bancada pela SBC, porém este ano a organização brasileira decidiu usar o dinheiro do patrocínio para custear o acampamento durante o mês de Janeiro, na USP. Dado isso, tivemos que correr atrás do financiamento. Inicialmente, nosso técnico Alberto pediu dinheiro para o Instituto de Computação, mas este estava com o caixa zerado. Ele então foi atrás da reitoria da Unicamp, que só aceitava pagar metade das passagens. No final das contas o Alberto desistiu de ir para o mundial, o IC usou uma verba da pós-graduação para pagar a minha passagem e as outras duas foram compradas pela reitoria.

Só conseguimos passagens partindo de São Paulo dia 28 de Janeiro, chegando em Harbin dia 30. Depois de negociar com a agência de viagens responsável pela compra das passagens, conseguimos mudar o itinerário para chegar dia 30 em Pequim e só ir para Harbin no dia 1 de Fevereiro. Uma vez que já íamos ficar 5 dias em Harbin, achamos mais proveitoso passar o tempo extra em Pequim.

Viajamos para a China em um dos períodos mais frios do ano. A cidade de Pequim lembra muito São Paulo com seus arranha-céus, mas fiquei com a impressão de que a primeira é bem mais limpa e bem cuidada. Infelizmente, por falta de organização e conhecimento, só conseguimos visitar a Cidade Proibida durante os três dias de nossa estadia.

Vista da Cidade Proibida

No dia 1 de Fevereiro chegamos ao aeroporto de Harbin, onde fomos recepcionados por um grupo de voluntários do ICPC. O ônibus que nos levaria ao hotel demorou a sair e por isso chegamos bem em cima da hora, sendo os últimos a fazer o check-in e registrar nosso time na competição.

Dia 2 de Fevereiro fomos a um parque de exibição de esculturas de neve na Sun Island. Tinha muita escultura legal (e gigante!). Acabamos descobrindo que a neve era feita artificialmente ralando gelo.

Exibição de esculturas de neve, Sun Island

Dia 3 de manhã fizemos uma prova de aquecimento e para familiarização com o ambiente de programação. Almoçamos no refeitório da universidade à la bandex com arroz, repolho cozido, carne de porco e uns nuggets estranhos. Tudo com muita pimenta (exceto o arroz). Foi bom para espantar o frio!

Bandex chinês

À tarde pusemos a mão na massa e fizemos nós mesmos uma escultura de neve. Cada equipe tinha que fazer uma letra para formar a frase “ACM ICPC WORLD FINALS 2010 HARBIN ENGINEERING UNIVERSITY”. Ficamos responsáveis pela letra ‘B’, junto com a Universidade de Cantebury, da Nova Zelândia. À noite fomos ao tão esperado parque com esculturas de gelo brilhantes.

Ice and Snow World em Harbin

Na manhã do dia 4 de Fevereiro fizemos uma simulação da prova, pois este ano a competição foi transmitida por uma emissora de TV na China e eles precisavam ensaiar tudo direitinho. À tarde teve um trabalho recreativo organizado pela IBM, que era uma competição de montar brinquedos e resolver sudokus :P Depois teve uma palestra da IBM para falar de suas novas tecnologias [1].

 

Saguão da competição

Finalmente, no dia 5 de Fevereiro, tivemos a competição de verdade. Não vou entrar em detalhes sobre os problemas aqui, mas devo dizer que nossa estratégia de time, treinada várias vezes durante o ano passado, funcionou relativamente bem (na final brasileira não foi tão boa) e conseguimos ficar em terceiro entre os times brasileiros (na final brasileira ficamos em sexto). Enfim, conseguimos fazer 4 problemas e aparecer no placar (quem fez menos que 4 só apareceu na menção honrosa). A UFPE (Pernambuco) foi a campeã sul-americana e o mundial foi vencido pela Shangai Jiatong [2]. Curiosidade: Entre os 13 medalhistas só tem times da Ásia e da Europa, sendo que 10 deles são da China ou da Rússia.

Tambores barulhentos na cerimônia de encerramento.

Para encerrar a competição, fomos a um restaurante típico (só consegui comer as frutas da sobremesa :X) onde teve apresentações de danças chinesas e muita acrobacia.

Referência:
[1] Cronograma de Eventos
[2] Placar Final